Neve histórica mantém caminhoneiros de SC presos entre Argentina e Chile
Motorista catarinense relata dificuldades enfrentadas na Cordilheira dos Andes enquanto aguarda a liberação.
A intensa sequência de nevascas na Cordilheira dos Andes segue provocando transtornos para quem depende da principal ligação rodoviária entre Argentina e Chile. Há cerca de duas semanas, o Paso Cristo Redentor, na região de Mendoza, permanece com o tráfego interrompido, deixando aproximadamente 700 caminhões retidos à espera da liberação da estrada por conta da neve. As informações são do NSC Total.
Entre os motoristas que enfrentam a situação está o catarinense Jairo Gomes, de 34 anos, natural de Sombrio e atualmente morador de Santa Rosa. Ele permanece parado no lado argentino da fronteira há cerca de 18 dias, sem previsão oficial para retomar a viagem.
Em entrevista ao NSC Total, o caminhoneiro contou que circulam apenas informações extraoficiais entre os motoristas de que a passagem poderá ser reaberta por volta do dia 8 de agosto, mas até o momento nenhuma data foi confirmada pelas autoridades.
Segundo a imprensa argentina, o fechamento da rodovia ocorre devido ao grande acúmulo de neve na região de alta montanha, onde as equipes trabalham para liberar a pista. Desde meados de julho, mais de 300 pessoas precisaram ser retiradas de localidades próximas, como Las Cuevas, Penitentes, Puente del Inca, Horcones, Punta de Vacas e Los Puquios, em razão das condições climáticas.

Enquanto aguardam a normalização da situação, os caminhoneiros recebem apoio de entidades locais, que distribuem alimentos como sopas, verduras, água e itens básicos. Apesar disso, as dificuldades permanecem.
De acordo com Jairo, um dos principais problemas é a falta de estrutura para higiene. Embora existam banheiros disponíveis, os chuveiros são de água fria. Quem deseja tomar banho quente precisa pagar cerca de 4 mil pesos argentinos, valor equivalente a aproximadamente R$ 16.
O caminhoneiro também descreveu a rotina de espera como desgastante. Segundo ele, o vento forte e o frio intenso tornam os dias ainda mais difíceis, enquanto cresce a ansiedade entre os profissionais que permanecem estacionados há quase três semanas.

“Tem pessoas que estão há 19 ou 20 dias aqui, e ninguém consegue dar uma previsão concreta. A única informação que recebemos é que continua nevando e que as equipes não conseguem concluir a limpeza da rodovia”, relatou ao NSC Total.
O Paso Cristo Redentor é considerado a principal rota terrestre entre a província de Mendoza, na Argentina, e a região de Valparaíso, no Chile, sendo um corredor estratégico para o transporte internacional de cargas entre os dois países. Enquanto as condições climáticas não melhoram, centenas de caminhoneiros seguem aguardando a reabertura da estrada.
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